
O Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), organização com status consultivo especial perante o Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ECOSOC/ONU) desde 29 de julho de 2025, vem, respeitosamente, por meio de seu presidente abaixo-assinado, emitir NOTA DE REPÚDIO às declarações proferidas pela Senadora da República Soraya Thronicke (PSB-MS), que atacou publicamente o sacerdote católico Frei Gilson, acusando-o injustamente de “misoginia” e chamando-o de “falso profeta”.
A Senadora utilizou suas redes sociais para criticar uma pregação em que o Frei Gilson, amparado estritamente no texto bíblico do livro de Gênesis 2:18 (“Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada”), ensinava a seus fiéis a visão cristã a respeito do papel do homem e da mulher. Incomodada com a fala do Frei, a parlamentar afirmou que o religioso “passou de todos os limites possíveis de intolerância religiosa e misoginia” e exigiu que a Igreja Católica tomasse “severas providências”.
Como amplamente reiterado no debate público recente, o termo “misoginia” pressupõe ódio, aversão ou desprezo sistêmico contra as mulheres. A pregação do Frei Gilson, contudo, ao abordar a figura da mulher como “auxiliadora idônea”, não apenas se abstém de incitar hostilidade, como enaltece o papel feminino sob a ótica da dogmática teológica e das Escrituras Sagradas.
Na doutrina católica especificamente na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem1 (1988), São João Paulo II estabelece que a mulher é criada como um “outro eu” na comum humanidade. Ela surge para superar a solidão originária do homem, que não encontrava nas demais criaturas uma paridade ontológica. Ambos, homem e mulher, são criados à imagem e semelhança de Deus, partilhando da mesmíssima dignidade pessoal.
O Papa esclarece que o termo “auxiliar” não implica subordinação ou inferioridade; antes, denota apoio e complementaridade recíproca. A expressão bíblica “que lhe corresponda” aponta para uma simetria essencial, como se a mulher estivesse diante do homem “como em um espelho”. A clássica simbologia da criação a partir da “costela” (do lado) do homem reforça essa igualdade: ela não provém da cabeça para dominar, nem dos pés para ser subjugada, mas do lado, para ser parceira e caminhar em paridade.
Portanto, para o cristão católico fiel a Doutrina e ao Magistério, a fala do Frei Gilson guarda estrita consonância com a fé católica. O conceito de “auxiliadora” traduz uma antropologia de comunhão interpessoal e dom de si. Inexiste, portanto, no discurso do sacerdote, qualquer traço de hostilidade, mas tão somente a reafirmação de uma teologia que vê na alteridade entre homem e mulher a plenitude da imagem divina.
